A história da canção Tomorrow Never Knows

“Tomorrow Never Knows”, a faixa de encerramento do “Revolver”, fora a primeira a ser gravada, começando no dia 6 de abril de 1966, uma quarta-feira. Até aquele momento, com certeza, era a composição mais experimental dos Beatles. Além de a musicalidade em si causar certa estranheza nos fãs, John decidira criar em sons e palavras uma faixa que remetesse à experiência com LSD. Como base para as palavras, fora usado o livro The Psychedelic Experience, de 1964, escrito por Timothy Leary, o guru do LSD, e readaptado do antigo Livro Tibetano dos Mortos. 

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Barry Miles, um sujeito que cuidava da Indica Books, em Southampton Row, e era muito influente na cena alternativa britânica dos anos 1960, tinha um acordo de mandar revistas e jornais importantes para os Beatles. Leary, o famoso guru do LSD, havia passado aproximadamente sete semanas no Himalaia estudando o budismo tibetano com Lama Govinda, resultando no livro The Psychedelic Experience. Segundo Leary: “Eu fazia perguntas ao Lama Govinda e depois tentava traduzir o que ele tinha dito para algo útil para as pessoas. O Livro dos Mortos na verdade significa o ‘Livro dos Mortais’, mas é o seu ego, não o seu corpo, que está morrendo. O livro é um clássico. É a Bíblia do budismo tibetano. O conceito do budismo é o vazio e alcançar o vazio – foi o que John captou na música”. As palavras contidas no Livro Tibetano dos Mortos serviam como guia para as desilusões que aparecem com a aproximação da morte. Quando tomaram LSD, muitas pessoas viveram a experiência da morte do ego, então as palavras do livro poderiam servir para confortar os usuários e protegê-los do pânico. Segundo algumas versões, John fez uma fita com as palavras escritas por Timothy para escutar com fone de ouvido durante uma de suas “viagens” de LSD. 

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Timothy Leary.

Para suavizar essa inovadora enxurrada de sons e imagens alucinógenas, John decidiu batizar a canção com um dos chavões de Ringo, os famosos “ringoísmos”, assim como “A Hard Day’s Night”. Embora alguns autores de livros afirmem que a música fora chamada, provisoriamente, de “The Void”, Mark Lewisohn afirma que as folhas de registros das gravações e as caixas das fitas referem-se à canção gravada naquele dia como “Mark I”. O som mais marcante da canção, provavelmente, são os loops de fita que apareceram graças às experiências dos Beatles com gravadores, especialmente de Paul McCartney. “Ele tinha um Grundig. E descobriu que movendo o cabeçote de apagamento e ativando o loop podia encher a fita com um único ruído. Ficava girando até que a fita não conseguisse mais absorver nada, então ele a trazia e tocava”, conta George Martin. Outro detalhe marcante da canção são os vocais de John Lennon. A partir de 1:27, a voz de John passou a ser alimentada através de um alto-falante giratório Leslie dentro de um órgão Hammond, o que dá a impressão de que a voz está saindo de um túnel. George Martin recorda que John Lennon queria soar como se fosse Dalai Lama cantando do topo da maior montanha, e ainda assim ouvir as palavras que ele próprio estava cantando. Outras pessoas recordam também que John solicitou que a canção tivesse o som de 4.000 monges tibetanos cantando ao fundo. 

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Uma resposta para “A história da canção Tomorrow Never Knows

  1. Tomorrow Never Knows é uma música maravilhosa! John Lennon era o cara!

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