A história da canção The Fool On The Hill

“The Fool On The Hill” começou a ser trabalhada por Paul em março de 1967, enquanto estava compondo “With A Little Help From My Friends”, e só gravaria a canção em setembro do mesmo ano. Hunter Davies, o famoso biógrafo dos Beatles, estava presente quando Paul mostrou-a para John. Eles estavam reunidos na casa de Paul McCartney, na Cavendish Avenue, enquanto John e ele tentavam criar uma letra para a melodia de “With A Little Help From My Friends”, que já existia desde o dia anterior. Entre os presentes, agora estavam Terry Doran e Cynthia Powell, esposa de John. O clima era descontraído, Cynthia lia um livro e Terry lia horóscopos. As pausas para lanches, brincadeiras e conversas eram comuns no processo criativo da dupla. Olhando para fora da janela, Hunter observa seis fãs penduradas bravamente no muro da residência, o que era completamente comum na casa de um beatle. Entre algumas brincadeiras com citara, Paul começou a tocar uma linda melodia de um tolo sentado na colina, substituindo as palavras indefinidas por “la-la”. Enquanto John olhava pela janela, pensativo, a música terminou, e John sugeriu que anotasse para não esquecer, mas Paul respondeu que não esqueceria. 

Hunter Davies (seta amarela) assistindo a uma das sessões de gravação de Sgt. Pepper.

Quando escreveu sobre um tolo na colina, provavelmente, Paul estava pensando em gurus, como o famoso Maharishi Mahesh Yogi, que ainda não havia conhecido na época, e em um ermitão italiano sobre quem leu algo certa vez. No final dos anos 1940, ele resolveu deixar a caverna em que vivia e descobriu que perdera toda a Segunda Guerra Mundial. Obviamente, para muitos, a imagem de uma pessoa meditando ou caminhando sozinho por uma montanha ou colina é vista como loucura. Outro fato que pode ter contribuído para Paul formar a imagem de um tolo parado em uma colina fora contada por Alistair Taylor, que trabalhou com Brian Epstein e com os Beatles, em seu livro, Yesterday

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Taylor recorda uma caminhada que ele fez com Paul e sua cachorra, Martha, durante uma manhã, em Primrose Hill. Eles viram o sol nascer e, logo em seguida, perceberam que Martha havia sumido. “Nós nos viramos para ir embora e, de repente, ele estava atrás de nós. Era um homem de meia-idade, muito bem vestido com uma capa de chuva com cinto. Nada demais, você pode pensar, mas ele surgiu atrás de nós do topo da colina em silêncio absoluto”, escreveu Taylor. Paul e Taylor tinham certeza de que o sujeito não estava lá segundos antes, porque eles estavam vasculhando o lugar em busca de Martha. Assustados eles cumprimentaram o homem, que comentou algo a respeito da paisagem, e foi embora. Quando se viraram de volta, o homem havia desaparecido misteriosamente, do mesmo jeito que aparecera. Segundo Taylor, era simplesmente impossível alguém sumir tão rápido do campo de visão, sendo que as arvores mais próximas ficavam um tanto quanto longe, e, mesmo assim, elas eram tão finas que não esconderiam nem um terço de um corpo humano. O mistério ficara ainda maior porque, pouco antes do homem aparecer, Paul e Taylor divagavam sobre a existência de Deus, enquanto olhavam a bela vista de Londres e do nascer do sol de cima da colina. “Paul e eu tivemos a mesma sensação estranha de que algo especial tinha acontecido. Sentamos no banco um pouco trêmulos, e Paul disse ‘que diabos você acha que foi? Que estranho. Ele estava aqui, não estava? Nós falamos com ele?’”. Taylor continua a história: “De volta a Cavendish, passamos o resto da manhã falando sobre o que vimos, ouvimos e sentimos. Parece uma fantasia provocada pelo ácido dizer que tivemos uma experiência religiosa em Primrose Hill naquela manhã, mas nenhum de nós tinha tomado nada. Uísque e Coca-Cola foram as únicas coisas que tocamos na noite anterior. Nós dois sentimos que tínhamos vivenciado uma experiência mística, mas nenhum dos dois quis nomear, nem mesmo para o outro, o que ou quem vimos no topo da colina naqueles breves segundos”. 

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John Lennon e Alistair Taylor.

A canção foi lançada no álbum Magical Mystery Tour, de 1967. No filme, que tem o mesmo nome do álbum, Paul decidiu ir para a França gravar a sequência que seria usada com a música, levando consigo Mal Evans e o cinegrafista Aubrey Dewar. A sequência foi filmada nas montanhas perto de Nice, pouco depois do nascer do sol. 

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