A adoção de John Lennon por parte de seus tios

Nunca se soube exatamente quais motivos levaram Julia Lennon a entregar seu filho, John, de apenas cinco anos, aos cuidados de sua irmã mais velha, Mary Elizabeth, mais conhecida como Mimi. Alf Lennon, pai de John, depois de sua tentativa frustrada de raptar seu filho e levá-lo para longe de Julia, sumiu de vez da vida de sua ex-mulher e seu pequeno filho. Julia estava casada com Bobby Dykins e muitos acreditavam que houve uma grande confusão entre eles, pois uma criança tão pequena exigia muita dedicação. Apesar das especulações, Mimi acolheu seu sobrinho em Mendips, sua casa, com um carinho materno que raramente ela havia demonstrado antes. 

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John Lennon mais ou menos na época da adoção

Se John passou seus primeiros anos de vida sem saber como era exatamente ter uma mãe, sabia menos ainda como era ter um pai. Tia Mimi era casada com George Smith, um entregador de leite da empresa de laticínios de sua família. Depois da chegada de John a Mendips, o casal renunciou completamente à vida social que desfrutavam em Liverpool.

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Mimi e George Smith em Mendips

No seu novo lar, John tinha que conviver com a vigilância incansável de Mimi. Por sorte, ela havia decidido se casar com um dos homens mais dóceis e dedicados de Liverpool. John e tio George rapidamente desenvolveram uma das relações mais importantes e menos complicadas que Lennon teria ao longo da vida. Imediatamente, grande parte graças ao tio, John se instalou confortavelmente na casa dos Smith. A casa que ficava na Menlove Avenue, era acolhedora, com sete cômodos de alvenaria e um quarto extra que mais tarde Mimi alugaria para estudantes para aumentar a renda familiar. O quarto de John era pequeno e confortável, e ficava em cima da varanda. Quase todas as manhãs ele acordava cedo com o barulho dos cascos de um cavalo que puxava uma velha carroça que entregava leite na rua. Durante as tardes, a sala de estar estava sempre repleta com cheiro das tortas de maçã que tia Mimi preparava em sua restrita cozinha.

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John em frente ao portão de Mendips

As famosas “regras de Mimi” não esperaram para entrar em cena. Embora Julia o deixasse a vontade com horários e escolhas, em Mendips tudo era muito diferente. As refeições eram servidas com regularidade, tinha que dormir muito cedo todas as noites e havia um ritual para o banho e lavagem de cabelo. Antes de cada refeição, John era convocado para agradecer a Deus pela comida. Não podia sentar-se à mesa sem lavar as mãos ou levantar-se sem pedir permissão.

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John no jardim de Mendips

George Smith viu em John o filho que sempre desejara. Durante os primeiros anos de guerra, enquanto os Smith ainda tinham a granja de leite, George levava o sobrinho para passear na carroça de entrega, exibindo John aos clientes com o orgulho de um pai de primeira viagem. John adorava ir com o tio ao galpão de ordenha ou ao campo onde Daisy, a égua que puxava a carroça, passava suas horas de descanso. Ao chegar do trabalho de noite, George abria os braços e John se afundava neles com carinho. A qualquer hora do dia, tio George pegava o sobrinho pelo ombro e dizia: “Quem me dá um estalado?”, e John o obedecia com euforia, dando-lhe um beijo estalado e barulhento. 

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Tio George e John

Foi na casa dos Smith que John teve os primeiros contatos com a arte. Depois que tio George perdeu o emprego de entregador de leite, ele começou a trabalhar como vigia noturno da fábrica da Bear Brand, deixando o dia inteiro livre para descansar e mimar o sobrinho. Mimi demonstrava uma feroz desconfiança com os populares “filmódromos”, o que afastava o pequeno John dos épicos filmes da Disney. Outro capricho de Mimi era afastar o sobrinho dos doces. Mais uma vez, o rebelde tio George aparecia para desafiar o olhar conjugal, levando John ao pequeno cinema de Woolton e contrabandeando doces com passos leves ao quarto do sobrinho no andar de cima depois que as luzes da casa eram apagadas. 

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Tia Mimi, John e um estudante pensionista

Antes que a música tomasse conta de John, ele tomou gosto pelo desenho e pela leitura. Tia Mimi exibia atrás do sofá da sala de estar “vinte volumes dos melhores contos do mundo”, que John lia e relia a maioria deles. Enquanto o sobrinho era muito pequeno, George recitava os versos infantis favoritos de John e, mais tarde, o ensinara a fazer palavras-cruzadas. 

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Quarto de John em Mendips

Mendips estava sempre cheia de vida. Quando não eram os parentes e amigos, eram os animais de estimação: um grande gato preto-e-branco chamado Samuel Pepys que vivia sentado no colo de tio George, um mestiço persa chamado Titch e uma adorável cadela vira-lata chamada Sally. Os gatos eram uma paixão de toda a família. Numa noite em que a neve castigava Liverpool, um John Lennon com sete ou oito anos saiu de casa sozinho e voltou para casa com um filhote de persa marrom e branco todo sujo que ele não conseguia dissuadir de segui-lo. Provando seu amor pelos felinos, John implorou para ficar com o gato, mas Mimi disse que, como era muito valioso, deveriam primeiro colocar um anúncio no Liverpool Echo. Quando nenhum leitor se manifestou, o gato ficou em Mendips e foi batizado de Tim. “Tivemos Tim durante vinte anos”, lembra Mimi. “Onde quer que estivesse no mundo, John queria sempre saber o que Tim andava aprontando”.

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John e Sally

Foi em Mendips que John conheceu o rock’n’roll. Sentado no seu quarto, ele escreveu músicas que conquistariam o mundo. Apesar das descobertas e alegrias que John teve na residência dos Smith, duas tragédias marcariam para sempre sua vida. Primeiro, ele perdeu tio George, que se tornara um verdadeiro pai para John. Depois, Julia morrera atropelada logo quando estava se reaproximando do filho. Apesar de todas as regras e amarguras de Mimi, ela salvara John quando sua mãe o estava transformando em uma criança sem rumo. Foi na segurança de seu quarto devidamente aquecido e dos bolos matutinos de sua tia que John encontrou segurança suficiente para desafiar a todos e conquistar o mundo. Sua gratidão pelo amor de sua tia era tão grande que, até a morte de John, em 1980, ele não deixava uma única semana chegar ao fim sem pegar o telefone e ligar para Mimi, a mãe que ele adotara, desde os cinco anos de idade. 

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John Lennon e tia Mimi depois que os Beatles já eram conhecidos no mundo todo

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2 Respostas para “A adoção de John Lennon por parte de seus tios

  1. Olá, ler a História da Infância de John Lennon, indica que o Destino de John não foi tão ruim para Ele. Ele teve o equilíbrio necessário para realizar sua grande Obra, os Beatles, nas regras de Mimi que deu a Ele disciplina para cumprir os Contratos e Shows, mesmo nos momentos de crise da Maior de Banda de todos os tempos e em Tio George, a infância feliz que todos nós merecemos ter, os doces contrabandeados pelo seu Tio que os levava para seu quarto e os animais de estimação, como Tim, o Gato Persa e a adorável Cadela Vira-Lata Sally, que Ele tanto amou. Uma tragédia que o marcou por toda a sua vida, foi ver sua Mãe no momento que Ela voltava a vê-lo com uma maior frequência, atropelada por um bêbado “Maluco” na porta da Casa de sua Tia Mimi. Este detalhe, eu o guardei depois de ler e estudar durante alguns anos, o Livro “O Pensamento Vivo de John Lennon”, uma entrevista concedida à Revista Rolling Stones, que durou 3 dias em seu Apartamento no Lendário Dakota. Ele, sua Mulher Yoko e o Jornalista. Na mesa de centro, “tocos” de cigarro e cappuccinos. maurororiz.roriz@gmail.com

  2. Muito interessante essa reportagem,eu curti e curto ouvir músicas de Jhon Lennon. Adorei o filme da história de dele o estrela. E adorada tia que muito amou,essa história me fez chorar.

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