John Lennon, o pior dançarino do mundo

Em meados de 1950, em Liverpool, era praticamente um pecado praticar algumas formas de arte que exigissem mais sensibilidade. Cantar ou dançar, para os meninos da cidade, era coisa de “maricas”. Foi por esse motivo que John Lennon e seu seleto grupo de amigos de Woolton criaram um “esconderijo”, que ficava em uma rampa de grama elevada no Calderstones Park. O ponto era completamente estratégico, de modo que tivessem uma visão privilegiada de quem estivesse andando em direção ao grupo de amigos que praticava sua cantoria secreta. “Cantar não era coisa de macho”, diz Pete Shotton, o fiel escudeiro de John Lennon durante a infância e adolescência. 

john e shotton

Pete Shotton rapidamente aprendeu a ler os medos de John em parecer meio afeminado ou de ser visto não como um cara durão. Lennon tinha um jeito próprio de abordar alguns assuntos. Certa vez, John e Pete estavam andando de bicicleta pelo bairro quando, de repente, John parou no meio-fio, olhou para os lados furtivamente para ter certeza de que ninguém escutasse a conversa e, com a voz calma e quase silenciosa, ele disse ao amigo: “Você já, hã, pensou, hã, em aprender a dançar, Pete?”. John convenceu Pete a matricular-se com ele, em absoluto segredo, num “curso de dança de verdade” que era dado uma vez por semana na Escola de Dança Vernon Johnson, um centro de jovens num sólido edifício de arenito na Allerton Road, próximo de Penny Lane. No caso da dança, a palavra “de verdade” significava usar traje formal, no estilo usado em salões de baile, que eram um passatempo muito popular em Liverpool. Pete conseguiu pegar emprestado um dos ternos de seu irmão mais velho, Ernest, que praticamente o engolia, e John vestiu um casaco esporte e calças formais que tia Mimi comprara na esperança de que um dia ele as vestisse para ir à missa. Quem os via, partindo juntos ao entardecer da esquina da Menlove Avenue, onde John morava, como dois homenzinhos elegantes com ar de maioridade e de cabeça baixa, não podia deixar de sorrir.

Antes de frequentarem as aulas de dança, eles praticavam na casa de um amigo. John, porém, não levava o menor jeito para a dança. Não havia ritmo algum em seus pés. “Fazíamos os passos, estávamos aprendendo a dançar”, lembra Pete. “Mas John era o pior dançarino do mundo, parecia uma caixa de papelão duro”. O que intrigava Pete Shotton era que, obviamente, Lennon não levava o menor jeito como dançarino. Portanto, ele não entendia o motivo da insistência de John em se matricular no curso de dança. Até que, certa noite, todas as dúvidas de Shotton foram devidamente esclarecidas.

biciclando

Uma noite, assim que a música terminou e os alunos começaram a deixar o salão, os rapazes voltaram ao vestiário para apanhar os casacos, quando, de repente, as luzes começaram a diminuir até se apagar por completo. Pete tropeçava enquanto tentava tatear alguma segurança no escuro. Até que seus braços abraçaram algo suave e agradável e, repleta de confiança, uma garota o beijou na boca. Quando as luzes se acenderam, Pete olhou ao redor e viu John em pé, com um sorriso aberto, olhando para ele, com outra bela garota nos braços. O mistério estava resolvido: “Foi então que percebi por que ele me arrastara para aquele lugar”, lembra Pete Shotton.

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Uma resposta para “John Lennon, o pior dançarino do mundo

  1. Esse trexo é da biografia de Bob Spitz né? Muito legal…

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