A história da canção Yesterday

Numa manhã de 1965, na residência da família de sua namorada Jane Asher, na 57 Wimpole Street (ver mapa abaixo), Paul acordou em seu quarto situado no último andar da casa com uma melodia na cabeça. Ele foi até um piano que havia perto da cama e começou a tocar. “Estava tudo lá”, conta. “Ela veio completa. Eu não conseguia acreditar”. 

Mesmo sem a letra, Paul estava preocupado que a música já existisse e que tivesse sido plagiada inconscientemente, tornando-se apenas a memória de uma melodia ouvida ao invés de um arroubo de inspiração. “Por cerca de um mês fui atrás das pessoas no mercado musical e perguntei se já tinham ouvido a música antes”, ele conta. “Acabou sendo como entregar algo à polícia. Achei que se ninguém desse falta em algumas semanas eu poderia ficar com ela”. Então Paul criou o título provisório “Scrambled Eggs” e começou a cantar “Scrambled eggs, oh you’ve got such lovely legs”, só para sentir como seria o vocal. “Estávamos filmando Help! em estúdio havia quatro semanas”, relembra Dick Lester. “Por algum tempo havia um piano em um dos palcos, e eles ficava tocando ‘Scrambled Eggs’ o tempo todo. Chegou ao ponto em que falei: ‘Se você tocar essa maldita música mais um pouco, vou mandar tirar o piano. Ou você termina, ou desiste’”. Em 2010, Paul McCartney tocou a primeira versão da canção com o apresentador e comediante Jimmy Fallon.

A música foi concebida no começo de 1965, mas foi só em junho daquele ano, quando tirou duas semanas de férias com Jane Asher em Portugal, na casa de verão do guitarrista do Shadows, Bruce Welch, que completou a letra. Enquanto ia de carro do aeroporto de Lisboa para Albufeira, Paul escreveu a letra de “Yesterday”. Segundo Paul, “sempre detestei perder tempo e a viagem era muito longa”. Ao chegar à casa de Welch, McCartney pediu um violão emprestado com urgência. “Eu estava fazendo as malas para ir embora quando Paul perguntou se eu tinha um violão”, conta Welch. Bruce pegou seu Martin 0018, de 1959, e Paul dedilhou pela primeira vez, com o violão virado ao contrário por ser canhoto, a versão final de “Yesterday”, que havia terminado durante a viagem. 

Paul e Jane voltando de Portugal

Paul e Jane voltando de Portugal

Apenas dois dias depois de voltar de Portugal, Paul gravou a música em Abbey Road, que surpreendeu aos fãs por trazer um quarteto de cordas e por McCartney ser o único Beatle na gravação. Apesar de John afirmar que não gostaria de ter sido o autor dela, ele admitiu que era uma “bela” música com uma “boa” letra, mas achava que a letra não era bem resolvida.  “Yesterday” se tornou um clássico do pop rapidamente e foi regravada por inúmeros artistas, de Frank Sinatra a Marianne Faithfull. Em julho de 2003, o escritor de Liverpool, Spencer Leigh, fez a descoberta de que havia semelhanças entre “Yesterday” e “Answer Me”, de Nat King Cole (1953) tanto na melodia quanto na letra. A música de Cole contém até mesmo os versos “yesterday I believed that love was here to stay/ Won’t you tell me that I’ve gone astray?”. Quando a notícia chegou ao escritório de Paul, a resposta foi que as músicas eram tão parecidas quanto “Get Back” e “God Save The Queen”. 

Iris Caldwell recorda um incidente interessante relacionado à música. Ela terminou o namoro com Paul em março de 1963 depois de uma discussão boba sobre os cachorros dela (Paul não se interessava tanto por cães na época) e, quando ele ligou para Iris mais tarde, a mãe dela disse que a filha não queria falar com Paul porque ele não tinha sentimentos.

Iris Caldwell

Iris Caldwell

Dois anos e meio depois, no dia 1 de agosto de 1965, um domingo, Paul tocaria “Yesterday” no Blackpool Night Out, um programa ao vivo de televisão. Durante a semana, ele ligou para a Sra. Caldwell e disse: “Lembra que você disse que eu não tinha sentimentos? Assista à televisão domingo e me diga se isso é verdade”.

Confira o take 1 de Yesterday, com Paul McCartney citando os acordes usados no início da gravação:

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3 Respostas para “A história da canção Yesterday

  1. Pingback: A história da canção Yesterday | BEATLES AND PAUL McCARTNEY ARE LOVE

  2. PAUL, O ETERNO GAROTO DE LIVERPOOL ( UMA BRASA VIVA DE AMOR): O sol beija as montanhas de Minas e um lindo raio a face de todos ilumina. Voar nas asas do vento e imaginar as embarcações cruzando o mar azul das lembranças. Ah quantas saudades das passadas do Carteiro percorrendo as ruas! Memorias das Ruas e das esquinas deste pais que respira amor, poesia e luz. Da terra da rainha os 4 garotos de Liverpool. A trilha sonora dos versos que movem e do bonde cruzando a nossa aldeia de paz. Neste vaivém os homens de bem seguem a pé até Jerusalém e movidos pela fé seguem as pegadas do ‘ Homem de Nazaré. Claudio Fontana acaba de fazer 70 anos e Paul hoje faz 72 anos. A unção sublime da arte esteve presente nos garotos da Inglaterra, para que a vida na terra pudesse ser celebrada e a presença da pessoa amada é um lindo raio derramando luz na estrada. O rio abraça o mar das lembranças e perdemos o sono na noites de outono e sonhamos com o menino Paul e um coral de vozes cantando para nós: Yestarday! “Com ‘Yesterday’, cantando agora, eu acho que sem perceber eu estava cantando sobre a minha mãe”, disse Paul. Seremos aos olhos de nossas mães e aos olhos do Pai Celestial um sublime coral de vozes seguindo os 4 cavaleiros de Apocalipse. Para historiadores os 4 garotos foram um sublime sinal que entre os mortais e os homens de bem a extensão da face do Homem de Nazaré se revela na arte também. FELIZ ANIVERSARIO AO GAROTO PAUL.!

  3. Pingback: A importância de fazer música boa | N1 Studio

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