A saga dos bateristas dos Beatles

No verão de 1960, um promotor de eventos alemão, Bruno Koschmider, estava em busca de bandas beat britânicas para tocar nos seus bares em Hamburgo. Koschmider foi convencido a contratar Derry and the Seniors, que embarcaram para Hamburgo em julho. Duas semanas depois, a banda contratada já era um sucesso nas noites da cidade. Koschmider pediu para contatar outra banda para tocar em outro bar que possuía. A primeira escolha foi Rory Storm & The Hurricanes, banda cujo baterista era um sujeito de aparência deprimida chamado Ringo Starr, mas eles já haviam sido contratados para tocar em um acampamento de verão. Depois das recusas de diversas bandas beat que nasciam sem parar em Liverpool, Koschmider chegou até uma banda chamada The Beatles. O único problema era que, como a bateria era um instrumento caro e raros se arriscavam a comprá-la, eles não tinham um baterista fixo, de modo que eles só teriam o trabalho caso conseguissem um. Os Beatles deveriam partir para Hamburgo em duas semanas, no dia 16 de agosto, mas a falta de um baterista estava fazendo John, Paul, George e Stuart quebrarem a cabeça. Até que alguém mencionou Pete Best.

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Pete era um rapaz afável, mas muito quieto – quase anti-social -, com aparência provocadora e mal-humorada que atraía a atenção das garotas. Sua mãe, Mona Best, era uma mulher rude, mas disposta a fazer praticamente tudo – como montar um clube beat no porão de sua casa – pelo filho. O Casbah ficava no porão da casa de Mona Best, no subúrbio de Liverpool. Anos antes, quando a banda ainda se chamava Quarrymen, eles tocaram na inauguração do clube. Mona havia dito que ainda estava pintando o teto e os três rapazes pegaram pincéis e a ajudaram a terminar o serviço. O porão era quente, úmido e barulhento, mas estava sempre lotado em apresentações do Quarrymen. A antiga banda de Pete, o Blackjacks, havia se separado, de modo que ele tinha uma bateria e tempo livre. Paul McCartney ligou para Pete e fez o convite a ele de se juntar aos Beatles em uma viagem de um mês a Hamburgo. Pete aceitou e, junto com os outros, se preparou para a viagem. Durante os ensaios, enquanto os outros agiam como bobos, fazendo piadas, Pete falava pouco e frequentemente parecia estar distante, no seu próprio mundo. Ele não conseguia ultrapassar a atmosfera e o humor dos Beatles.

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Casbah Club atualmente, ainda com a pintura feita pelos Beatles.

Quando chegaram a Hamburgo, esperando tocar no Kaiserkeller, eles ficaram sabendo que tocariam no Indra, um clube muito menor. A atração anterior era um show sensual de mulheres, e a maioria dos clientes deixou claro que não gostava dos Beatles, que só queriam saber das mulheres nuas. Até aquele momento, eles haviam tocado em apresentações de apenas uma hora, mas agora deveriam tocar por sete ou oito horas. O único jeito que conseguiram para completar o repertório que tinham era prolongar as canções por até vinte minutos cada uma. As brincadeiras dos 5 integrantes no palco – principalmente de John, Paul e George – eram cativantes, e logo a audiência começou a gostar dos “garotos metidos de Liverpool”. Durante as poucas horas de sono que tinham, eles passavam em um cinema chamado Bambi. Os camarins abandonados e sujos eram seus dormitórios. Eles dormiam em casas de armar com lençóis velhos e usavam os banheiros públicos imundos, que não tinham chuveiro. Depois de tocar até tarde da noite, eram acordados todos os dias pelo som do primeiro filme que era exibido. Apesar das reclamações, era claro que eles estavam se divertindo, principalmente depois que começaram a causar impacto. No início, havia apenas alguns clientes no clube, mas logo começou a ficar lotado todas as noites e a ficar aberto até mais tarde do que o normal.

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Os Beatles em Hamburgo, em 1960.

Depois de dois meses, o Indra foi fechado por causa de reclamações do barulho, e os Beatles foram transferidos para o Kaiserkeller, onde conheceram o Rory Storm & The Hurricane. Os dois grupos se alternavam no palco de hora em hora, durante doze horas por dia. Os Beatles conheciam o grupo de Rory Storm, eles eram os mais populares de Liverpool. Durante os dias juntos em Hamburgo, os rapazes acabaram conhecendo o baterista Ringo Starr, mas não chegaram a conhecê-lo bem. Foi no Kaiserkeller que eles começaram a tomar pílulas. Primeiro eram as pílulas para emagrecer, depois passaram para as mais fortes, anfetaminas chamadas Black Bombers e Purple Hearts. Isso fazia eles não dormirem e nem comerem bem, mas estavam se divertindo como nunca e tendo seus contratos renovados por várias vezes. Porém, durante os intervalos de uma hora no Kaiserkeller, os Beatles tinham o hábito de tocar com Tony Sheridan – um guitarrista britânico que estava tocando na Alemanha desde 1959 – no Top Ten Club. Quando Bruno Koschmider descobriu, ficou tão irritado que os dispensou do seu clube. O dono do Top Ten, Peter Eckhorn, reagiu ao incidente oferecendo a eles um emprego com um aumento substancial no cachê. Quando ficou sabendo, Koschmider ficou tão incomodado que providenciou que a polícia deportasse George Harrison, pois tinha apenas dezessete anos e o seu trabalho na Alemanha era ilegal. Dias depois, quando Paul e Pete foram pegar suas coisas para se mudarem para o Top Ten, eles iniciaram um pequeno incêndio. O dano foi pequeno, mas Koschmider chamou a polícia e os dois passaram a noite na cadeia e no dia seguinte foram mandados para a Inglaterra. Uma semana depois, sozinho e sem dinheiro, John Lennon juntou-se a eles naquela humilhante volta a Liverpool. Entretanto, Stuart foi o único que não voltou, decidiu ficar em Hamburgo com Astrid, que conhecera enquanto tocava no Kaiserkeller.

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Astrid Kirchherr, uma personagem muito importante na história dos Beatles.

Depois de todos o sucesso que os levaram a Hamburgo, os Beatles voltavam para Liverpool decepcionados. Ficaram duas semanas sem se reunir e, pelo que John falava para Cynthia, sua namorada, aquilo podia ser o fim dos Beatles. Mas quando John resolveu procurar os outros rapazes, decidiram se reunir de novo. O primeiro show depois de terem voltado foi no Casbah. Os cartazes anunciavam: “O Retorno dos Fabulosos Beatles!”, e os fãs que sempre lotaram o clube ficaram felizes em vê-los novamente. O show daquela noite serviu para mostrar o quanto eles haviam evoluído musicalmente depois de tantas horas tocando na Alemanha. As garotas gritavam com prazer enquanto ouviam o rock’n’roll cru e barulhento que os rapazes faziam. Era magnético e contagiante. Não dava para ouví-los sem querer dançar. Logo depois do show no Casbah, eles conseguiram outro no conselho distrital de Litherland. Era o maior lugar que haviam tocado até então. De repente, eles eram a grande sensação de Liverpool. Uma descrição local da época apresentou os Beatles como um grupo “explodindo numa cena embotada”. Eles estavam “explodindo” e, cada vez mais, deixavam os adolescentes de Liverpool loucos de excitação e querendo mais.

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Apresentação dos Beatles no Casbah Club.

O Cavern Club era um ponto de encontro tradicional do jazz, mas, agora que o jazz perdera o lugar para o rock’n’roll, a administração decidira que era melhor se adaptar. O Cavern ficava na Mathew Street, uma viela repleta de armazéns, caminhões e lixo. O clube era um porão escuro, apertado, com pouca ventilação e acústica ruim. O palco era pequeno e, quando o clube estava lotado, ficava tão quente que era difícil de respirar. A primeira vez que tocaram no Cavern foi dia 21 de março de 1961 e logo estavam tocando várias vezes por semana, na hora do almoço e à noite. Eles estavam felizes com o rumo das coisas. Finalmente conquistaram o sucesso em sua própria cidade. Mas eles queriam fazer outra tentativa em Hamburgo. Agora, regularizados e George com seus 18 anos completos, partiram para a Alemanha em abril de 1961 para trabalhar no Top Ten Club. Mesmo tocando todas as noites até às 2 horas da manhã, eles não dormiam antes de amanhecer. Quando terminavam o serviço e o clube fechava, eles saíam para comer, pulando e cantando rua abaixo. Apesar de toda a felicidade, Paul e Stuart brigavam cada vez mais e Pete estava deixando os outros irritados. Stuart nunca tivera talento para a música e isso provocava as brigas com Paul. E Pete simplesmente não tinha o mesmo humor dos rapazes: preferia ficar quieto e sozinho, e não participar das brincadeiras. John tentava provocá-lo mas, na maioria das vezes, ele era calmo demais para responder. Embora George também fosse calmo e quieto, quando todos pensavam que ele estava desligado do assunto, respondia com um comentário seco, levando todos às gargalhadas. Quando os rapazes voltaram da Alemanha, Stuart não estava junto. Ele conseguira entrar na faculdade e estava noivo de Astrid, que, por sinal, encorajou os Beatles a adotarem o penteado Mop-top. Todos aceitaram, menos Pete Best. Nessa época, Tony Sheridan, que haviam conhecido em Hamburgo, sugeriu que os Beatles o acompanhassem em um disco. A música era “My Bonnie”. E ela começaria a mudar tudo na vida dos Beatles quando um rapaz entrou na loja de discos NEMS, em Liverpool, e pediu um disco de mesmo nome. O dono da loja era Brian Epstein, e nunca ouvira falar no compacto. A maioria das pessoas não teria dado importância ao fato, mas Brian queria agradar a todos os clientes, então decidiu procurá-lo.

Quando mais duas pessoas foram perguntar sobre o disco, Brian aproveitou para perguntar quem eram os Beatles. Ficou surpreso ao descobrir que não eram alemães e que frequentavam sua loja, onde passavam tardes ouvindo discos. Brian decidiu ir vê-los ao vivo, em uma apresentação no Cavern, dia 9 de novembro de 1961. Ele tinha feito uma reserva para o almoço. O lugar era sujo, escuro, úmido e muito barulhento, segundo ele. Brian era um amante de música clássica e evitava lugares assim. Ele estava sempre arrumado e tinha muita classe, sabia que se destacaria no lugar, por isso ficou no fundo, quieto. Quando os Beatles entraram, ele ficou fascinado. Eram sujos, fumavam, comiam e conversavam enquanto tocavam, gritavam para amigos na platéia, faziam piadas e viravam as costas para o público. Eles demonstravam que não ligavam para nada e, mesmo assim, os adolescentes que iam ao Cavern os amavam e Brian percebeu que eles eram especiais. Nas duas semanas seguintes ele veria os Beatles tocarem várias vezes. Ele estava fascinado por um estilo de vida completamente diferente do seu e, enquanto assistia às apresentações, teve a idéia de conversar com a banda. Ele descobriu que os Beatles não tinham empresário nem contrato de gravação. Ele começou a estudar o que fazia um empresário e, apenas três semanas depois de vê-los pela primeira vez, convidou-os a irem ao seu escritório para uma conversa. Depois de demonstrar que falava de negócio e sabia o que estava fazendo, John confiou completamente em Brian e, depois de uma semana, já era empresário dos Beatles. O contrato dizia que ele ficaria com 25% dos lucros da banda. John e Brian se tornaram grandes amigos e tinham uma meta em comum: fazer com que os Beatles fossem os maiores desde Elvis Presley.

Brian Epstein.

Brian Epstein.

Brian mudou tudo. Começou a correr atrás de contrato de gravação e proibiu os rapazes de comer, conversar, beber ou gritar no palco. Eles deveriam parecer limpos. Nada mais de estender as músicas. Agora eles deveriam tocar suas melhores músicas em uma apresentação de uma hora. O mais difícil de aceitar, para John, foi usar ternos. Ele achava que estava se vendendo. Mas depois de um tempo percebeu que eles teriam que concordar caso quisessem ser reconhecidos além de Liverpool. Antes, Pete era o responsável por agendar as apresentações da banda, mas agora Brian passou a cuidar disso. Ele começou a cobrar um cachê maior e recusava se não chegasse ao preço que ele queria. Brian era organizado e mandava listas datilografadas com todas as datas e horários das apresentações e exigia que chegassem na hora marcada. Tudo isso que havia mudado em tão pouco tempo começou a dar resultado no Natal de 1961, quando Brian convencera o diretor da gravadora Decca, Mike Smith, a ouvir os Beatles. Mike foi vê-los tocar em Liverpool e eles se apresentaram como nunca naquela noite. Smith disse para Brian que gostaria que fossem a Londres fazer um teste no estúdio da Decca no dia 1° de janeiro de 1962.

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No dia 1° de janeiro, eles chegaram à Decca para a gravação. Estavam nervosos e não cantaram muito bem. No final, Brian pagou um jantar e, no dia seguinte, voltaram para Liverpool. Eles estavam ansiosos pelo resultado, mas não podiam fazer nada além de esperar. Semanas se passaram e os rapazes não paravam de perturbar Brian querendo notícias da Decca, mas elas não vinham. Enquanto os dias passavam, o desânimo aumentava. Em março, Brian foi avisado que a Decca não estava interessada. A única explicação que recebeu foi: “grupos que tocavam guitarras estavam no fim”. Diferente das outras vezes, John não ficou muito desanimado e decidiu que mostraria ao pessoal da Decca que estavam todos errados sobre os Beatles. Enquanto isso, Brian continuou tentando chamar a atenção de outras gravadoras. Ele viajava para Londres frequentemente, mas sempre voltava com más notícias para os meninos. Todas as pessoas que conviviam com a banda sabiam que algo aconteceria, era notável. Mas ninguém imaginava que tudo mudaria tão rápido. 1962 foi um ano fantástico e trágico para os Beatles.

Em abril, eles deveriam fazer outra viagem a Hamburgo. Dessa vez, com Brian nas negociações, eles tocariam em um clube melhor, o Star Club, e ganhariam mais dinheiro. A cereja do bolo veio quando Brian fez questão que chegassem de avião a Alemanha. Quando John, Paul e Pete (George iria no dia seguinte) chegaram ao aeroporto, John viu Astrid, noiva de Stuart, sozinha e com o rosto pálido. Ela acenou para ele e, quando chegou perto, disse que Stuart Sutcliffe havia morrido duas horas antes. A primeira reação de John foi rir histericamente – ele tinha essa reação quando pessoas muito importantes para ele morriam, como sua mãe, seu tio e Stu -. Depois das risadas, John desabou e começou a chorar. Como tinham contrato para tocar no Star Club, eles não puderam ir ao funeral. Em maio, enquanto os Beatles tocavam em Hamburgo, Brian levou algumas gravações para um loja de discos que pertencia à EMI. O técnico ficou tão impressionado com o que ouvira que levou o disco para o andar superior e mostrou para um editor musical, que também ficou fascinado pelos garotos e indicou um produtor que conhecia na Parlophone, George Martin. A Parlophone fazia parte do império da EMI, que já havia rejeitado a banda. Mas Martin, um músico de estilo clássico que se tornara produtor, ouviu o disco e decidiu fazer um teste com eles. Brian enviou imediatamente um telegrama para Hamburgo contando a notícia e pedindo que ensaiassem o material novo. Um mês depois eles fizeram o teste com George Martin no estúdio da EMI, em Abbey Road. Martin pediu ao seu assistente, Ron Richards, que acompanhasse o teste. Após algumas horas de ensaio, os Beatles gravaram quatro músicas. A primeira era um cover chamado “Besame Mucho”, mas foi durante a música original chamada “Love Me Do” que Richards chamou Martin para assistir ao teste. Ele confirmou sua primeira impressão, quando ouvira o disco da Decca, mas continuou tendo dúvidas em relação às habilidades instrumentais, especialmente a bateria de Pete Best. O ponto positivo eram os vocais e, quando George Martin chamou a banda para a sala de controle, foi completamente conquistado pelo humor da banda, principalmente de John, Paul e George. Além disso, Martin disse a Brian Epstein que, se fosse contratar os Beatles, gostaria de usar um baterista de estúdio na gravação. Mais uma vez eles voltaram para Liverpool ansiosos e tudo o que podiam fazer era esperar.

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Após quase dois meses de agonia, eles foram informados de que George Martin queria que assinassem um contrato com a Parlophone Records. Todos ficaram em êxtase e John não parava de gritar. Eles comemoraram muito, mas ainda havia um problema: John, Paul e George haviam concordado em que não queriam Pete na banda. Além de pedirem para Brian dar a notícia de que Pete estava fora da banda, resolveram não contar nada sobre o contrato de gravação com Parlophone. Brian Epstein detestou ter que contar a Pete a má notícia e se ofereceu para encontrar trabalho para ele em outra banda, mas ele passou semanas sem sair de casa, sem compreender por que os rapazes que considerava amigos o haviam descartado sem explicações. Depois disso, nenhum dos três tiveram coragem de procurá-lo e se desculpar. Eles sabiam que, no fundo, aquilo não era um erro e sabiam exatamente quem queriam que ocupasse o lugar de Pete.

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Primeiro show de Ringo como integrante dos Beatles.

Ringo Starr era o baterista do Rory Storm & The Hurricane, que eles haviam conhecido em Hamburgo. Seis meses antes, quando Pete Best adoeceu na Alemanha, Ringo tocou com os Beatles em algumas apresentações. Eles se deram incrivelmente bem, dentro e fora dos palcos. Quando souberam que Ringo havia deixado a banda, lhe ofereceram o lugar de baterista. Na mesma época, outra banda queria lhe contratar, mas os Beatles pagariam mais e tinham um contrato de gravação, o que fez Ringo aceitar o convite. A única condição, era que penteasse o cabelo para a frente, como John, Paul e George, e ele concordou. Quando os fãs ficaram sabendo da troca de Pete por Ringo, surgiram cartazes de “Pete forever! Ringo never!” e provocações em todos os lugares que iam. Contudo, eles nunca pensaram em voltar atrás. Se mantiveram firmes e, em pouco tempo, os fãs dos Beatles já haviam esquecido de Pete e se apaixonado pela expressão melancólica e as respostas curtas e grossas de Ringo, que o marcariam para sempre.

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