O dia em que John Lennon morreu

Há exatos 32 anos, o mundo perdia um de seus maiores sonhadores. Depois de cinco anos sem editar nada por conta do nascimento de seu segundo filho, Sean, John Lennon tinha acabado de lançar Double Fantasy, com Yoko Ono. O álbum falava sobre o amor e a família.

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No dia 8 de dezembro de 1980, às 17 horas, após uma entrevista à RKO Radio Network, John e Yoko foram ao estúdio Record Plant de carona com a equipe da Radio, porque a limousine não apareceu, para trabalhar e gravar a música “Walking on a Thin Ice”, de Yoko. Ao chegar ao estúdio, vários fãs pararam Lennon para pedir autógrafos, inclusive Mark David Chapman (o homem que, na mesma noite, tiraria a vida de John). Chapman aproximou-se do carro com o álbum recentemente lançado em mãos e pediu um autógrafo. John assinou e perguntou “É só isso que você quer?”. Chapman disse que sim, agradeceu e deixou John partir. Ele declarou, anos mais tarde, que pensou em matá-lo naquela hora, em meio à fotógrafos e fãs, mas a gentileza de John o fez mudar de idéia.

John Lennon autografando o álbum Double Fantasy para Chapman, horas antes de ser assassinado pelo próprio.

John Lennon autografando o álbum Double Fantasy para Chapman, horas antes de ser assassinado pelo próprio.

Às 22h30 deixaram o estúdio e voltaram para o edifício Dakota, em frente ao Central Park. Yoko chegou a sugerir que jantassem em um restaurante próximo ao estúdio, o Stage Deli, mas John disse que, antes, queria passar em casa para ver Sean antes que dormisse. John recusou que o carro fosse estacionado na garagem – o que impediria Chapman de atirar em Lennon – e a limousine parou na 72nd Street, pois gostava de cumprimentar as pessoas que o esperavam na frente do edifício.

John e Yoko, na frente do Dakota.

John e Yoko, na frente do Dakota.

Yoko foi a primeira a descer do carro e, rapidamente, passou pelo portão de entrada do edifício. Quando estava se aproximando do portão, John cumprimentara Chapman com um aceno de cabeça, e entrou. Depois de dar alguns passos, Lennon ouviu alguém lhe chamar “Mr. Lennon!”. Era Chapman. Quando John foi se virar, Chapman esvaziou o revolver 38 Charter Arms. Cinco tiros em sequência. O primeiro acertou a uma janela. Dois atingiram as suas costas e dois seus ombros. John gritou “Fui baleado!” e, cambaleando, deu alguns passos até a sala do porteiro, subiu alguns degraus, empurrou a porta e caiu, espalhando pelo chão as fitas das gravações que trazia em mãos. O porteiro do Dakota estava em sua sala, lendo uma revista, quando ouviu tiros e vidro estilhaçado. Ele apertou o botão que o colocava em contato direto com a polícia e correu para junto de John, se ajoelhou, tirou sua jaqueta e a colocou por cima. Yoko gritava por ajuda, por uma ambulância e, por fim, dizendo para John que tudo ficaria bem. Hastings, o porteiro, tirou sua gravata para tentar amarrar e normalizar a circulação de sangue, mas não havia local para amarrá-la. John estava com o olhar perdido, desfocado. Vomitava sangue e pedaços de tecido. Em poucos minutos a polícia chegou. Enquanto dois policiais procuravam pelo atirador – que depois de atirar em John tirou o casaco e o chapéu antes que a polícia chegasse, para que soubessem que não tinha arma nenhuma escondida, e sentou-se na calçada, com o livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger, nas mãos – outros dois entraram no edifício, viram Lennon no chão e viram que ele já tinha perdido 80% do seu sangue, não havia tempo para esperar a ambulância chegar. Colocaram-no dentro do carro e saíram às pressas para o hospital Roosevelt. Mas, no curto caminho até o hospital, John já estava inconsciente e sem pulso.

Fãs na frente do hospital Roosevelt.

Fãs na frente do hospital Roosevelt.

Depois que a notícia se espalhou, uma multidão se formou na frente do Dakota. Enquanto os fãs cantavam “Give Peace A Chance” e choravam, no lado de dentro do edifício Yoko ligou para Paul McCartney e Mimi, a tia de John que o criara desde os 5 anos de idade. Ringo, que estivera com John dois meses antes, ligou pra Cynthia, a primeira esposa de John, e pegou um avião para Nova York. Julian, primeiro filho de John, estava morando no País de Gales. Mesmo tendo pouco contato com o pai, desde que se separou de Cynthia, Julian quis estar onde seu pai passara os últimos dias de vida. Paul falou com a imprensa na saída de um estúdio. Mais tarde, emitiu um comunicado dizendo que ambos tinham esquecido das brigas nos últimos anos dos Beatles, e que estavam se tornando grandes amigos novamente. George Harrison estava gravando quando recebeu a notícia. Cancelou tudo e foi para casa. Depois, emitiu um comunicado dizendo que estava atordoado e que “roubar uma vida é o roubo mais definitivo”. Dois dias depois, sem velório, seu corpo foi cremado no Ferncliff Cemetery em Hartsdale, Nova York.

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No dia anterior à sua morte, em um domingo, Chapman começou a tirar fotos de John. Lennon não estava nos seus melhores dias, e saiu correndo atrás para tirar a máquina. Quando voltou para perto de Yoko, John disse “Se alguém me acertar, vai ser um fã”. Chapman já estivera em Nova York dois meses antes com o mesmo propósito, mas desistiu do plano de matar Lennon. 14 anos atrás, John já havia recebido uma carta de um vidente, dizendo que seria baleado enquanto estivesse nos EUA. A partir desse dia, toda vez que John viajava com os Beatles para a América, se despedia de Cynthia, pensando ser a última vez. Quando isso já havia sumido da cabeça de John, o homem que pediu para a terra viver como um todo e, acima de tudo, para darmos uma chance à paz, foi assassinado com um tiro, nos EUA.

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Uma resposta para “O dia em que John Lennon morreu

  1. A morte de John Lennon é um fato que nunca consegui ultrapassar totalmente (e julgo que é algo comum a muitas pessoas). Quando a quadra natalícia de 1980 se aproximava, John era um homem feliz pessoal e profissionalmente. Estava para breve o sucessor do promissor álbum “Double Fantasy”, gravações de clipes e uma digressão mundial. Paralelamente, a amizade com Paul McCartney renovou-se com uma conversa telefónica poucos dias antes da sua morte e a possibilidade dos Beatles se voltarem a reunir estava no ar. Não deixa de ser irónico que Lennon tenha sido morto a tiros um ano depois de doar dinheiro para a polícia de Nova Iorque comprar coletes à prova de bala. O que mais me espanta é a facilidade com que aquele sujeitinho matou John, ou seja, a ausência total de segurança na entrada do edifício Dakota. John Lennon era e (ainda) é o meu ídolo de sempre e um dos maiores gênios da música popular . Porquê? Pela simples razão de nos deixar conhecê-lo através das canções (de uma forma direta), transparecendo os seus sentimentos, emoções e paixões. Ele nunca será esquecido e o sujeitinho nunca será perdoado.

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